O Rádio no mundo pós moderno


 

Que o mundo pós moderno trouxe enormes e significativas mudanças em todas as áreas todo mundo sabe. A velocidade das coisas, a descartabilidade, a novidade que dura alguns dias ou pouca horas, o aumento da expectativa de vida, dois e/ou três empregos e profissões; tudo isso afeta de maneira mais direta, aquele que veio do mundo moderno e para o jovem do pós moderno é apenas normal.

Com tudo isso, naturalmente os veículos de comunicação mudaram e muito. Para falar apenas de um, o rádio, ele foi o que mais sentiu/mudou. Além da TV, ele tem os pen drives no carro, mp3 de celulares, e a sua maior e mais letal concorrente: a internet.

Na internet temos os sites de música, o Youtube, as rádios web, que curiosamente fazem o que as rádios FMs faziam num passado não muito remoto: tocam música!

Com todas estas mudanças o rádio convencional teve e está tendo que se adequar. Mas como se adequar, qual a estratégia, qual o formato? Falar mais? Falar menos? Tocar mais ou menos música? Uma dessas “estratégias” é o maior conteúdo informativo (entre notícias, opiniões, fofocas e muita bobagem). Ninguém mais espera um lançamento musical via rádio, para isso, tem o Youtube. As notícias na hora do acontecido, tem os canais de TV 24 horas notícias. E os locutores figuras/celebridades foram para as rádios populares, e com muita ressalva e pouco tempo para seus shows solo.

Uma rádio web que mantinha locutores no formato FM há pouco tempo dispensou seu time para contratar em seu lugar: youtubers! Como os jovens ditam regra, e youtubers falam diretamente para eles, pois há a identificação, isso pode ser um acerto ou um tiro no pé.

Já assisti entrevistas de youtubers na TV, e também ouvi algumas no rádio onde toda a sacada, humor inteligente, citações de pensadores, e etc, simplesmente sumiram. Mas por que? Porque quando eu gravo seguindo um roteiro duas ou três horas e depois edito e transformo tudo em 20 minutos eu realmente posso parecer um fenômeno. O mesmo caso de alguns comediantes de stand-up não renderem em uma entrevista.

Mas como os jovens se cansam rápido das coisas, pode ser um tiro no pé... Mas se for um acerto, pode ser uma tendência que sai da web e vai para as rádios convencionais. Como já aconteceu anteriormente nos anos 90, onde um "visionário" coordenador artístico deu um “cala boca” nos locutores e a partir daí, na Transamérica só se falava o nome da música, slogan e hora certa, e um monte de locutores que falavam todos no mesmo lugar (mesma entonação, mesmas coisas, e quase a mesma voz); ou nos 2000 com artistas de TV apresentando programas, pode ser que esta façanha (a de mudar tudo) aconteça novamente! Sim, pois esse formato foi seguido por muitas rádios no Brasil.

Esse modelo de rádio musical dos dias de hoje, possivelmente durará (por mais um tempo) com as rádios populares, por razões óbvias.

Talvez no futuro, o locutor (o profissional) seja apenas o que gravará comerciais e vinhetas, pois a apresentação de programas de rádio, será feita por qualquer um "descolado" que saiba falar, não importando se ele sabe - de fato - falar, se tenha voz ou técnica, o importante é apenas falar, mesmo que não se diga nada, porque quando se está No Ar, é preciso preencher o vazio.

 

 

J. Fernandes

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